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Bacharel em Direito
Mariene Alves
Osasco (SP)
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Mariene Alves
Comentário ·
há 12 anos
A realidade do sistema carcerário do Brasil
Mariene Alves
·
há 12 anos
Obrigada!
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Mariene Alves
Comentário ·
há 12 anos
O papel da Psicologia Jurídica na Ressocialização
Mariene Alves
·
há 12 anos
Na minha visão, não adianta que "eles" apenas paguem pela dor eterna que causaram, tornando-se ainda menos sociáveis e retornando a sociedade de forma a causar mais dor e fazer mais vítimas... torna-se apenas um ciclo. Será que esse marginal nunca sofreu antes de te causar sofrimento? Será que ele nasceu e cresceu querendo ser marginal?
Mas, não tire conclusões sobre mim. O seu "certamente" está bem vazio.
Sinto muito pelo ente que você possa ter perdido, mas se você não acredita em ressocialização e deseja somente a punição, haverá muitas outras vítimas e famílias pra chorar eternamente contigo. E é isso que eu não desejo.
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Fernando Araujo
Comentário ·
há 12 anos
A realidade do sistema carcerário do Brasil
Mariene Alves
·
há 12 anos
Existe sistema carcerário no Brasil?
Pois se entende a palavra sistema, uma lógica de prática, de procedimentos , de regras , enfim, de muitas coisas que no Brasil é praticamente inexistente.
Não sou defensor de alguém que foi julgado e condenado por algo, porém sou defensor dos mesmos terem de uma forma digna o cumprimento de suas penas.
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Erick Fernandes da Silva
Comentário ·
há 12 anos
A realidade do sistema carcerário do Brasil
Mariene Alves
·
há 12 anos
Diário De Um Detento
Racionais Mc's
http://www.youtube.com/watch?v=_CZunqkl_r4
"São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã.
Aqui estou, mais um dia.
Sob o olhar sanguinário do vigia.
Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK.
Metralhadora alemã ou de Israel.
Estraçalha ladrão que nem papel.
Na muralha, em pé, mais um cidadão José.
Servindo o Estado, um PM bom.
Passa fome, metido a Charles Bronson.
Ele sabe o que eu desejo.
Sabe o que eu penso.
O dia tá chuvoso. O clima tá tenso.
Vários tentaram fugir, eu também quero.
Mas de um a cem, a minha chance é zero.
Será que Deus ouviu minha oração?
Será que o juiz aceitou a apelação?
Mando um recado lá pro meu irmão:
Se tiver usando droga, tá ruim na minha mão.
Ele ainda tá com aquela mina.
Pode crer, moleque é gente fina.
Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá...
Tanto faz, os dias são iguais.
Acendo um cigarro, vejo o dia passar.
Mato o tempo pra ele não me matar.
Homem é homem, mulher é mulher.
Estuprador é diferente, né?
Toma soco toda hora, ajoelha e beija os pés,
e sangra até morrer na rua 10.
Cada detento uma mãe, uma crença.
Cada crime uma sentença.
Cada sentença um motivo, uma história de lágrima,
sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio,
sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo.
Misture bem essa química.
Pronto: eis um novo detento
Lamentos no corredor, na cela, no pátio.
Ao redor do campo, em todos os cantos.
Mas eu conheço o sistema, meu irmão, hã...
Aqui não tem santo.
Rátátátá... preciso evitar
que um safado faça minha mãe chorar.
Minha palavra de honra me protege
pra viver no país das calças bege.
Tic, tac, ainda é 9h40.
O relógio da cadeia anda em câmera lenta.
Ratatatá, mais um metrô vai passar.
Com gente de bem, apressada, católica.
Lendo jornal, satisfeita, hipócrita.
Com raiva por dentro, a caminho do Centro.
Olhando pra ca, curiosos, é lógico.
Não, não é não, não é o zoológico
Minha vida não tem tanto valor
quanto seu celular, seu computador.
Hoje, tá difícil, não saiu o sol.
Hoje não tem visita, não tem futebol.
Alguns companheiros têm a mente mais fraca.
Não suportam o tédio, arruma quiaca.
Graças a Deus e à Virgem Maria.
Faltam só um ano, três meses e uns dias.
Tem uma cela lá em cima fechada.
Desde terça-feira ninguém abre pra nada.
Só o cheiro de morte e Pinho Sol.
Um preso se enforcou com o lençol.
Qual que foi? Quem sabe? Não conta.
Ia tirar mais uns seis de ponta a ponta (...)
Nada deixa um homem mais doente
que o abandono dos parentes.
Aí moleque, me diz: então, cê qué o quê?
A vaga tá lá esperando você.
Pega todos seus artigos importados.
Seu currículo no crime e limpa o rabo.
A vida bandida é sem futuro.
Sua cara fica branca desse lado do muro.
Já ouviu falar de Lucífer?
Que veio do Inferno com moral.
Um dia... no Carandiru, não... ele é só mais um.
Comendo rango azedo com pneumonia...
Aqui tem mano de Osasco, do Jardim D'Abril, Parelheiros,
Mogi, Jardim Brasil, Bela Vista, Jardim Angela,
Heliópolis, Itapevi, Paraisópolis.
Ladrão sangue bom tem moral na quebrada.
Mas pro Estado é só um número, mais nada.
Nove pavilhões, sete mil homens.
Que custam trezentos reais por mês, cada.
Na última visita, o neguinho veio aí.
Trouxe umas frutas, Marlboro, Free...
Ligou que um pilantra lá da área voltou.
Com Kadett vermelho, placa de Salvador.
Pagando de gatão, ele xinga, ele abusa
com uma nove milímetros embaixo da blusa.
Brown:"Aí neguinho, vem ca, e os manos onde é que tá?
Lembra desse cururu que tentou me matar?"
Blue:"Aquele puta ganso, pilantra corno manso.
Ficava muito doido e deixava a mina só.
A mina era virgem e ainda era menor.
Agora faz chupeta em troca de pó!"
Brown:"Esses papos me incomoda.
Se eu tô na rua é foda..."
Blue:"É, o mundo roda, ele pode vir pra ca."
Brown:"Não, já, já, meu processo tá aí.
Eu quero mudar, eu quero sair.
Se eu trombo esse fulano, não tem pá, não tem pum.
E eu vou ter que assinar um cento e vinte e um."
Amanheceu com sol, dois de outubro.
Tudo funcionando, limpeza, jumbo.
De madrugada eu senti um calafrio.
Não era do vento, não era do frio.
Acertos de conta tem quase todo dia.
Ia ter outra logo mais, eu sabia.
Lealdade é o que todo preso tenta.
Conseguir a paz, de forma violenta.
Se um salafrário sacanear alguém,
leva ponto na cara igual Frankestein
Fumaça na janela, tem fogo na cela.
Fudeu, foi além, se pã!, tem refém.
Na maioria, se deixou envolver
por uns cinco ou seis que não têm nada a perder.
Dois ladrões considerados passaram a discutir.
Mas não imaginavam o que estaria por vir.
Traficantes, homicidas, estelionatários.
Uma maioria de moleque primário.
Era a brecha que o sistema queria.
Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo...
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!
O ser humano é descartável no Brasil.
Como modess usado ou bombril.
Cadeia? Claro que o sistema não quis.
Esconde o que a novela não diz.
Ratatatá! sangue jorra como água.
Do ouvido, da boca e nariz.
O Senhor é meu pastor...
perdoe o que seu filho fez.
Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter.
sem arma, sem socorro.
Vai pegar HIV na boca do cachorro.
Cadáveres no poço, no pátio interno.
Adolf Hitler sorri no inferno!
O Robocop do governo é frio, não sente pena.
Só ódio e ri como a hiena.
Ratatatá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue.
Mas quem vai acreditar no meu depoimento?
Dia 3 de outubro, diário de um detento."
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Eliana Leni
Comentário ·
há 12 anos
A realidade do sistema carcerário do Brasil
Mariene Alves
·
há 12 anos
Penso se isso poderia ser comparado ao holocausto, entendo que aquele que comete um crime não é inocente e deve ser punido, reeducado e voltar a sociedade.....mas nossa realidade é cruel, ninguém vai se reabilitar em tais condições de abandono. A sociedade brasilerira não pode ignorar essa bomba relógio,temo pelo futuro. Que Deus de aos que comandam o nosso pais, discernimento e humanidade para mudar essa situação, é importante que estes façam alguma coisa, sabemos que leva tempo, mas é preciso levar esse tema a sério!
As pastorais, não sei como trabalham nesse espaço, mas acredito que se esforçam, porém nem todos conseguem suportar o ambiente e ainda acreditar que é possível ter uma nova chance.......que Deus abençoe e que toquem quem tem poder para mudar essa situação. Bençãos a todos!
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